terça-feira, 4 de outubro de 2011

Regresso a casa

Quem é que?...

Quem é que não finge e ri
Com vontade de chorar?
Quem é que não finge e cala
Com vontade de gritar?

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O que se sente

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há-de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...
 
 
Fernando Pessoa

sábado, 24 de setembro de 2011

Nem mais.

Uma amiga minha, há bocado, ao telefone, depois de eu lhe dizer que já me mudei para o Centro Escolar, que continuo Coordenadora e que tenho uma turma com 22 alunos repartidos por 3 anos de escolaridade:

-Tás fodida!

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

A poesia é o meu "Prozac".

E, ao contrário de qualquer outro ansiolítico, não necessita de prescrição médica, pode ser tomada sem moderação e, acima de tudo, pode e deve causar habituação.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Eugénio, sempre.

Poupar o coração
é permitir à morte
coroar-se de alegria.

Eugénio de Andrade

domingo, 11 de setembro de 2011

Noutros lugares

Não é que ser possível ser feliz acabe,
quando se aprende a sê-lo com bem pouco.
Ou que não mais saibamos repetir o gesto
que mais prazer nos dá, ou que daria
a outrem um prazer irresistível. Não:
o tempo nos afina e nos apura:
faríamos o gesto com infinda ciência.
Não é que passem as pessoas, quando
o nosso pouco é feito da passagem delas.
Nem é também que ao jovem seja dado
o que a mais velhos se recusa. Não.

É que os lugares acabam. Ou ainda antes
de serem destruídos, as pessoas somem,
e não mais voltam onde parecia
que elas ou outras voltariam sempre
por toda a eternidade. Mas não voltam,
desviadas por razões ou por razão nenhuma.

É que as maneiras, modos, circunstâncias
mudam. Desertas ficam praias que brilhavam
não de água ou sol mas solta juventude.
As ruas rasgam casas onde leitos
já frios e lavados não rangiam mais.
E portas encostadas só se abrem sobre
a treva que nenhuma sombra aquece.

O modo como tínhamos ou víamos,
em que com tempo o gesto sempre o mesmo
faríamos com ciência refinada e sábia
(o mesmo gesto que seria útil,
se o modo e a circunstância persistissem),
tornou-se sem sentido e sem lugar.

(...)

Jorge de Sena