quarta-feira, 8 de julho de 2009

O sal da língua

Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.


Eugénio de Andrade

4 comentários:

António disse...

Lindo, como usualmente.

Rosário disse...

Lindo (como é toda a poesia de Eugénio de Andrade!)

António disse...

E a formação? Linda? rsss

Rosário disse...

Bem quanto à formação...pelos vistos até tenho algum talento artístico e nem sabia. rsss